Saindo

Ao cair sob tentações ridículas de ira profunda, agora um pouco mais precoce, me veio o sentimento de paz interna como única forma de liberar todo o peso de estar e coincidir com a pressão social de ser algo involuntariamente, num aspecto fundamentalmente de essência, fugaz, desconfiado, amedrontado.

Achava que precisava chegar a hora. Os cabelos brancos em minha barba agora me projetam que a hora não vai chegar, mas os minutos, os segundos, os instantes, eles sim, pouco a pouco irão me levar, basta que cada um deles seja plantado sem a preocupação do que virão a ser. É plantar e cagar em cima, estrumear, e continuar a cantar pelo caminho que seja.

Há virtudes, tem-se sabedoria, mas sabe-se apenas ser compatível e ilusoriamente esperto. Vício de amar outras dores, outros amores, coisas estranhas, distantes, sonhos alheios.

Saímos, todos, rumo ao lindo horizonte de paixões.

Conto para trás meus anos agora e todo ano que passa é um passo novo que consigo dar, aprendendo a amar.

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