Foda-me poder

Entorpecido que fui pelo tempo, cultuo agora tua honestidade quando disse-me adeus como se fosse teu próprio rosto e custo, toda noite, a dormir sobre os lençóis embaraçados que ficaram com toda nossa confusa conversa sobre os discos voadores          
              que retornaram para trazer-nos aquela nova fórmula para multiplicar nossa felicidade que até então estava reduzida à apenas algumas vírgulas inúteis que separavam nossa falta de um diálogo a destruir, como sempre o fora.
"Agora sou um devasso garoto solitário que penso apenas na morte que foi causada pela estupidez da humanidade que enterrou a capacidade de reação daqueles que estão apodrecendo por dentro e, agora, o mundo que olha fede e aquele que é olhado é consumido por um câncer transparente que não dói, mas também fede."

Acelero meus batimentos cardíacos até sentir o meu peito tremer. Lembro-me do dia em que aquele vaso de vidro, com nossas orquídeas schunkeana, trincou quando escutávamos o que mais gostamos de ouvir: Sons incomuns vindos dos locais mais comuns. ::SOM::. 
Sim, som. Somos o húmus e, agora, apenas um parco vestígio daquilo que fomos. Somos, agora, prestígio para todos aqueles que nos julgaram capazes de sermos úteis a eles, mas somos lixos solitário, luxos coletivo, bichos   humanizados. 
Foda-se. Fodam-se. Alegrai-vos, a vida nos convida a morte diária dos nossos princípios fúteis e nós apenas dizemos que somos felizes 
sem nem apenas nos tocarmos. 



Foda-me poder,
porque foder é o que se pode fazer
quando não se pode largar o poder.

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